O
Sistema Único de Saúde vai mudar a forma como realizar o rastreio
do câncer de colo de útero. Ainda
este ano, o teste citopatológico para a detecção do HPV, mais
conhecido como exame de Papanicolau, será substituído por um exame
molecular de DNA-HPV. O
novo teste permite identificar com mais precisão os tipos de
papilomavírus humano que podem causar câncer e, como é um exame
mais sensível, capaz de detectar o vírus de forma mais eficaz, vai
poder ser realizado com intervalos maiores que o Papanicolau.
Se
não houver diagnóstico do vírus, o intervalo entre as coletas
passará a ser de cinco anos. Caso
o exame detecte o HPV e ele seja de um tipo que cause lesões que
tendem a evoluir
para câncer, como os tipos 16 e 18, por exemplo, a pessoa será
encaminhada diretamente para exames e condutas mais específicas de
tratamento. A
faixa etária de rastreamento, no entanto, não muda: continua sendo
mulheres entre 25 e 49 anos de idade.
A
mudança na forma de rastrear o HPV faz parte das novas diretrizes
para o diagnóstico do câncer do colo do útero, do Instituto
Nacional do Câncer, o Inca, e o conjunto de orientações já foi
aprovado pelos órgão responsável pela incorporação de novas
tecnologias no SUS, a Conitec. Vale
lembrar que o HPV é o causador de mais de 99% dos casos de câncer
de colo do útero, que é o terceiro mais incidente entre as mulheres
brasileiras, com cerca de 17 mil novos casos por ano.
Especialistas
em saúde acreditam que, se o país seguir um novo plano de combate à
doença, que prevê avanços no rastreio, tratamento e,
principalmente, na vacinação contra o HPV, o câncer de colo de
útero pode se tornar uma doença erradicada no Brasil em cerca de 20
anos. |